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BRASÍLIA - Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira, 17, o Banco Central (BC) avalia que já existe um descompasso entre os ritmos de crescimento da demanda e da oferta no Brasil e que a evolução do cenário inflacionário interno "exacerba" este quadro. Na semana passada, o Comitê aumentou a taxa básica de juro em 0,75 ponto porcentual, para 10,25% ao ano.
Os membros do Copom entendem que "permaneceram elevados os riscos" do cenário inflacionário desde a última reunião do grupo em abril. Mas os riscos para a trajetória da inflação , avalia o Comitê, se restringem apenas aos desenvolvimentos no cenário doméstico. "Para o Copom, os riscos para a consolidação de um cenário inflacionário benigno se circunscrevem essencialmente ao âmbito interno", destaca o texto.
Diante da avaliação de que o risco inflacionário mora apenas na economia brasileira, os membros do Copom afirmam que há cada vez mais sinais de riscos à trajetória dos índices de preço. O texto cita "evidências do estreitamento do mercado de fatores vêm da aceleração dos ganhos reais de salários no passado recente em alguns segmentos e de maiores pressões de preços ao produtor".
'Demanda doméstica já é robusta'
O Copom mudou a avaliação quanto ao ritmo da economia brasileira e considera que a demanda doméstica deixou o processo de recuperação e já está em um patamar considerado "robusto". No trecho 27 da ata, os diretores afirmam que "a demanda doméstica se apresenta robusta, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão do crédito". Na ata de abril, os membros do BC citavam que a demanda se recuperava na época e que o crédito estava passando por uma retomada.
Soma-se a isso, a existência de estímulos fiscais e creditícios decididos nos últimos trimestres "deverão contribuir para a consolidação da expansão da atividade e, consequentemente, para a redução de qualquer margem residual de ociosidade dos fatores produtivos".
Os diretores do BC observam, porém, que a evolução desses benefícios "contrapõem-se aos efeitos da reversão de parcela substancial das iniciativas tomadas durante a recente crise financeira internacional, os da mudança de postura da política monetária e os do agravamento da crise fiscal porque passam diversos países europeus". Juntos, esses fatores são "parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas", conclui o texto.
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