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10 de Dezembro de 2009
Anápolis - Nota Eletrônica obrigatório já a partir de 1 de Janeiro
Sérgio Lima - Diretor de Receita Municipal de Anápolis
A partir do primeiro
dia útil de janeiro
de 2010 será
obrigatória a expedição
da Nota Fiscal de Serviço
Eletrônica (NFSe), inicialmente,
para um grupo
de aproximadamente 350
contribuintes anapolinos
que, nos últimos 12 meses,
tenham recolhido em
ISS (Imposto Sobre Serviços)
um valor acumulado
no período igual ou superior
a R$ 1 mil. A medida
deveria entrar em vigor a
partir de 1º de dezembro
deste ano, para quando
estaria previsto o término
do recadastramento dos
contribuintes, serviço que
está sendo executado pela
Secretaria Municipal da
Fazenda.
O diretor da Receita,
Sérgio Lima, informou
ao CONTEXTO que ficou
acordada, em uma reunião
com a categoria dos contabilistas,
a prorrogação do
prazo. Todavia, isto depende,
ainda, da assinatura de
um decreto por parte do
prefeito Antônio Gomide.
Ele disse que o entendimento
já foi feito, ficando
para primeiro de janeiro a
obrigatoriedade da NFSe,
bem como, a apresentação
mensal da Declaração Eletrônica
de Serviços (DES),
que irá substituir o registro
em livros próprios, e a
Declaração Eletrônica do
Responsável Tributário
(DERT), exigida dos contribuintes
que terceirizam
prestadores de serviços e
são obrigados a fazerem a
retenção de ISS. A DERT
será o único meio pelo
qual o substituto obterá
o Documento Único de
Arrecadação Municipal -
DUAM, necessário ao recolhimento
do ISS devido
aos cofres municipais por
substituição.
De acordo com Sérgio
Lima, o recadastramento
teve o prazo ampliado por
mais seis meses, devido à
queixa dos contabilistas,
de que não haveria tempo
para se organizar a documentação
exigida e, ao
mesmo tempo, trabalhar
a inclusão das empresas
no novo modelo de arrecadação
fiscal. A intenção
- disse ele - é que este recadastramento
fique pronto
até junho do próximo ano.
Com estes dados, o município
terá uma “radiografia”
ajustada à realidade
dos contribuintes, hoje
na casa de 30 mil. Mas, a
maioria destes - em torno
de 25 mil - estaria inscrita
na base do Supersimples.
Não há um número preciso
dos prestadores de
serviços, sejam eles pessoas
físicas ou jurídicas.
Também, a partir do recadastramento,
o Município
poderá integrar e interagir
com outros bancos de dados
fazendários em nível
estadual e federal.
O diretor da Receita
salientou a implantação
desse novo sistema irá trazer
benefícios tanto para o
próprio município como
para o contribuinte. Conforme
observou, a Nota
Fiscal Eletrônica irá melhorar
a fiscalização e a arrecadação
tributária, não
só com a NFSe, mas, também,
com a DES, o DERT
e o cadastro atualizado. O
contribuinte, por sua vez,
será beneficiado com a
desburocratização. Com a
adoção da NFSe, não haverá
mais a necessidade de as
empresas fazerem a guarda
dos documentos contábeis
pelo prazo de cinco anos. “Temos conhecimento de
empresas que chegam a
alugar imóveis para depositarem
documentos”, destacou
Sérgio Lima.
“No começo, devemos
ter reclamações, pois se
trata de uma inovação.
Mas, à medida que os
empresários e os contabilistas
se acostumarem ao
sistema, verão que se trata
de uma medida que trará
benefícios”, assinalou. O
diretor da Receita informou,
ainda, que todos os
detalhes sobre a operação
da NFSe estão contidos no
Decreto 29.080, de 9 de setembro
de 2009, que regulamenta
vários dispositivos
da Lei Complementar
n° 136 (Código Tributário
e de Rendas do Município
de Anápolis) e na Portaria
008, de 22 de setembro
de 2009. Inclusive, nesta
portaria, consta a lista das
empresas que estarão obrigadas
a emitirem a nota
eletrônica a partir de janeiro
próximo. Há, ainda, os
modelos das declarações e
da NFSe.
“A Nota Fiscal Eletrônica é uma inovação que
vem para ficar”. Essa é a
opinião do ex-delegado
fiscal Antônio Alves de
Oliveira, atualmente diretor
da Impacto Assessoria
Empresarial, que há seis
anos atua no mercado e é
uma empresa de referência
no segmento contábil,
inclusive, uma das pioneiras
em Goiás a prestar serviços
de auditoria eletrônica
nos arquivos Sintegra e
Sped Fiscal.
Segundo ele, o sistema
irá beneficiar principalmente
o poder público que
contará com uma gama
maior de informações
para execução de suas
políticas de arrecadação e
fiscalização. Além, ainda,
da possibilidade de integração
às bases de dados
das fazendas Estadual e
Federal.
Entretanto, Antônio
Oliveira observa que o
contribuinte será, também,
beneficiado pelo aspecto
da desburocratização. Ele
acredita que, inicialmente,
devam ocorrer alguns
transtornos até que as
empresas estejam efetivamente
ajustadas ao novo
sistema. Conforme disse,
as empresas de pequeno
porte devem ter dificuldades
maiores, pois serão
oneradas com a aquisição
de computadores e softwares
(programas) para fazer
a emissão da NFSe.
Com relação ao Sped
Fiscal, o diretor da Impacto
Assessoria observa que a
substituição da escrita fiscal
em livros por meio eletrônicos
e magnéticos, é, também,
vantajosa para ambas
partes. Mas, na sua avaliação,
será uma implantação
um pouco mais trabalhosa,
devido a sua complexidade. “Por isso, será fundamental
que os contabilistas
se capacitem e se preparem
para essa nova demanda. É
um processo que visa trazer
mais segurança e isso será
um ganho, com certeza”,
ponderou.
Realidade no Estado
Em Goiás, a Nota Fiscal
Eletrônica já é uma realidade
para um grande número
de empresas goianas
contribuintes do ICMS. A
empresa E-sales Soluções
Oobj, sediada em Goiânia, é pioneira em Goiás, no
desenvolvimento de sistemas
de gestão de escrituração
digital, especialmente
para Nota Fiscal Eletrônica
e atua no mercado desde
2005, quando a experiência
com essa tecnologia começou
a ser desenvolvida.
O diretor da E-sales,
Hugo Eduardo Ramos dos
Santos, que é graduado em
Ciências da Computação e
pós-graduado em Sistemas
de Informação, explica
que em Goiás a Nota Fiscal
Eletrônica foi implantada
dentro de uma iniciativa
piloto do Conselho Nacional
Fazendário, o Confaz,
juntamente com os estados
de São Paulo, Rio Grande
do Sul e Bahia. Conforme
disse, a implantação se deu
por determinados setores
da economia, começando
com combustíveis e cigarros
em 2007. De lá para
cá - completou - diversos
segmentos passaram a integrar
o novo sistema e a
tendência é de que, dentro
de dois anos, a nota fiscal
impressa em blocos seja
abolida.
Em sua opinião, a grande
vantagem para os empresários
que aderiram
ao sistema de Nota Fiscal
Eletrônica (considerando
o modelo estadual) foi o
controle logístico. “Com a
NFE, as empresas podem
ter muitos pontos de faturamento,
os fornecedores
podem conferir antes se
a mercadoria está saindo
corretamente como descrita
e corrigir a emissão, caso
haja necessidade. Também
fica mais fácil a devolução
de mercadoria”, destacou,
acrescentando que também
há a vantagem de eliminação
de custos com a aquisição
de papel para formulários
contínuos, impressoras
matriciais e suprimentos.
Com a NFE, essa impressão
pode ser feita a partir de
impressoras de jato de tinta
ou a laser.
De acordo com Hugo
Ramos, hoje um dos grandes
problemas ainda enfrentados
pelas empresas é
o cadastro de clientes, devido
a falta de informações
que são necessárias para a
emissão da NFE. Ele orienta às empresas que busquem
boas ferramentas de
gestão e ainda, para que a
implementação seja antecipada às datas de adesão,
evitando, assim, atropelos
de última hora.