"Imaginem vocês a nossa mãe colocando feijão no fogo para cinco
pessoas e chegam dez. Ou seja, todos nós vamos ter de comer a metade
do que estava previsto para a gente comer. Então é importante que
cada prefeito, cada governador e cada ministro saiba que reduziu a
receita. Reduzindo a receita, vai reduzir a distribuição", disse o
presidente.
A declaração de Lula foi feita durante a solenidade de inauguração da
terceira usina de biodiesel da Petrobras, em Montes Claros (MG), que
contou com a presença de trabalhadores rurais e prefeitos da região
norte de Minas Gerais.
Lula afirmou que a crise afeta não só as prefeituras mas também os
governos federal e estaduais. E sobre o saldo menor nos cofres da
União, apontou dois motivos: a queda da atividade econômica
ocasionada pela crise internacional e as desonerações de impostos
promovidas para aquecer determinados setores, como o automotivo e o
da construção civil.
"Todos vamos ter de apertar o cinto, mas nenhum de nós vai morrer na
seca, como muitos municípios já morreram durante tanto e tanto tempo."
O governo federal já havia anunciado queda de 27% na arrecadação
federal em fevereiro e de 9,11% no primeiro bimestre, comparado ao
mesmo período de 2008. Nos municípios, a queda de receita tem sido
até mais acentuada, chegando a 30%, conforme as entidades que reúnem
os prefeitos.
No discurso, acompanhado de nove governadores da área da Sudene
(Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste) -que envolve os
nove Estados do Nordeste mais parte de Minas e do Espírito Santo- e
de 11 ministros, Lula voltou a falar da necessidade de o governo
investir em infraestrutura e disse que continuará promovendo mais
ações, como o programa habitacional anunciado recentemente.
Ele fez um novo apelo para a população não deixar de consumir e até
pediu para que torçam e roguem a Deus para a crise acabar nos países
da Europa, nos Estados Unidos e no Japão, de forma que esses países
voltem a alimentar o comércio. "Se eles não compram, teremos mais
problemas aqui", disse.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo - PAULO PEIXOTO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MONTES CLAROS
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